Uma Rua...

Data: 29-12-2015 | De: AMAURI MARTINS

Uma rua, brincadeiras, apelidos, saudade...

Estávamos no ano de 1958, perto do Natal, a infância a todo vapor, éramos todos infantes e as brincadeiras se sucediam, na mais pura inocência.
Brincávamos nas ruas da Vila Guilherme e com mais freqüência na Av. Angelina e nossa mente infantil só queria brincar, brincar, brincar. As brincadeiras se sucediam aos montes: pega-pega, palha e chumbo (coitado dos pequenos), queimada, taco, carrinhos rolemã, empinar pipas, bolinha de gude, não deixando de lado o futebol, no terreno da Maria Parente.
Fomos todos criados na rua, nós éramos puramente filhos da rua. Não existia
muro que separasse uma casa da outra. Não existia classe alta ou classe baixa, éramos todos irmãos, portanto éramos todos filhos da rua.
Os apelidos aconteciam naturalmente, mas não era booling. Eu tive a felicidade de colocar dois apelidos. O primeiro perdura até hoje e com muita hombridade, dignidade e honestidade ele carrega, o que virou marca registrada, nestes 60 anos de apelido e o segundo infelizmente a vida foi-lhe tirada ainda muito jovem, num ato de brutalidade.
O primeiro apelido foi dado naquele dezembro de 1955 a uma pessoa que posteriormente, já carregando o apelido, se fez homem e quando se casou já era um BARÃO. Nada melhor do que um título de nobreza para um jovem responsável e trabalhador .
Simultaneamente, o segundo apelido, o que o tornou famoso, foi dado ao PASTOR, que de pastor não tinha nada. Mas infelizmente a pureza do seu caráter, fez com que ele teve a vida interrompida com mais ou menos 30 anos de idade.
Enfim, neste mundo onde passamos por muitas coisas : alegrias, tristezas, dores, perdas, vitórias, derrotas , ficou a minha contribuição para esses dois colegas, pequena diante de outras que já aconteceram e outras que ainda virão.
Sessenta anos se passaram e hoje já não digo que não exista classe rica e classe pobre, mas sim na sua grande maioria é uma classe vencedora .
Estampasse no semblante de cada um, quando nos encontramos, que o aprendizado que tivemos, como filhos da rua, somando-se a educação do lar e nos bancos escolares, o sorriso de quem está de bem com a vida.
Agradeço a amizade dos que estão presentes e a saudade dos ausentes.
tenho dito.
am

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